Como é o processo para investir no exterior?

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Saudações investers! 

Investir no exterior! Alguém já pensou nisso? Pode parecer um bicho de sete cabeças, mas vou te mostrar que nem é tão complicado assim. Então bora conversar sobre isso, investers?

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Por que investir no exterior?

Eu já falei sobre a importância de diversificar seus investimentos. Colocar todo o seu dinheiro em um único ativo aumentará sua exposição ao risco. Pois bem, apesar de vivermos em um mundo globalizado, no qual os mercados estão razoavelmente integrados e fatos econômicos ocorridos em outro país podem influenciar nos mercados domésticos, as economias dos países ainda assim podem apresentar comportamentos diferentes.

Isso ocorre porque há países que dependem mais da indústria, outros do agronegócio, outros da mineração e por aí vai. Então é possível que a bolsa de valores dos EUA esteja com bom desempenho enquanto a da Austrália nem tanto. E o princípio da diversificação é exatamente este: minimizar perdas com um ativo amortecendo as oscilações de outro.

Uma outra vantagem em investir em ativos no exterior é se proteger das oscilações do real e de eventuais crises que possam ocorrer por aqui. Se você, por exemplo, compra ações nos Estados Unidos, antes de tudo você está comprando dólares. Agora imagine que o real se desvalorize muito frente à moeda estadunidense. Você sabe que isso pode prejudicar planos de viagem, encarecer produtos importados ou aumentar a dívida externa de alguma empresa. Todavia, se você tem ativos estrangeiros (denominados em dólar neste caso) terá uma proteção contra essa desvalorização do real.

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Investir diretamente no exterior

A opção de investir diretamente em ativos no exterior é viável, porém exige cuidados e análises. É recomendável, antes de tudo buscar uma instituição para abrir sua conta. Sim, é possível ter uma conta bancária no exterior, mas sugiro que você avalie as opções de investimentos, bem como perfil e custos da instituição.

Algo importante de mencionar é que quem possui mais de US$ 100 mil em aplicações fora do país precisa necessariamente comunicar isso ao Banco Central e declarar o valor à Receita Federal. No fim, esse processo pode ser um pouco mais complexo e exige experiência por parte do investidor. Mas você também pode contar com apoio de especialistas de sua instituição para te ajudarem em tudo isso.

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Enviando dinheiro

Uma vez que você tenha uma conta no exterior deverá buscar uma corretora ou banco aqui no Brasil que faça operação com câmbio. Lembre-se que você deverá pagar 0,38% de IOF (Imposto Sobre Operações Financeiras) se a conta estiver em nome de terceiros e 1,1% se estiver no seu nome. Além disso, verifique as tarifas cobradas pela instituição financeira.

Também é importante ter em mente a cotação do dólar comercial (ou da moeda estrangeira em questão) no momento da transação. Não se esqueça que o banco pode utilizar um valor de cotação um pouco maior como parte do pagamento de seus serviços. Ah, e claro, nos outros países o governo também cobra impostos sobre aplicações financeiras. Então verifique os valores e alíquotas para não se surpreender.

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Opções mais simples

Agora vou te dizer algo importante. Saiba também que você pode ter ativos do exterior em sua carteira sem realizar todo o processo de abrir uma conta estrangeira e analisar os custos e riscos dessa operação. Isso porque existem papeis negociados aqui em nossa bolsa de valores que possuem parte de seus investimentos em ativos no exterior. Com eles você diversifica e internacionaliza seus investimentos sem ter que fazer operações de câmbio, ou seja, faz tudo em reais!

Vamos ver quais são as opções.

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ETFs

Os Exchange Traded Funds ou ETFs são fundos de investimento que replicam o desempenho de índices de referência do mercado. Por exemplo, você pode investir em um ETF que seja especialmente desenhado para ter a mesma rentabilidade do índice Bovespa.

Mas o que isso tem a ver com o exterior?

Pois bem, existe um ETF chamado IVVB11 que replica o desempenho da principal bolsa de valores dos Estados Unidos: a S&P 500 (e este é apenas um exemplo de ETF vinculado a índices internacionais, você pode consultar outros no site da B3). Mas você não precisa comprar dólar e abrir uma conta no exterior para ter acesso a ele. Os ETFs são negociados na B3 como se fossem ações. Ou seja, possuem liquidez diária, sendo muito fácil comprar e vender. Até o imposto de renda é igual ao de uma ação: 15% sobre o ganho obtido.

Assim sendo, o ETF é uma boa opção para diversificar sua carteira com ativos do exterior.

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Fundos de Investimento

Fundos de Investimento são formados por vários investidores (podendo ser eu ou você) que disponibilizam seu dinheiro para que o fundo aplique em ativos diversos. Os fundos de investimento podem alocar esses recursos em renda fixa, renda variável ou em um mix de ambos.

Mas o que nos importa aqui são os fundos que aplicam parte do dinheiro em ativos do exterior. Esse porcentual pode chegar a 40%. Desta forma, parte do rendimento do fundo será determinada pelo desempenho de ativos externos.

De maneira equivalente aos ETFs, os fundos de investimento são alternativas simples pois podem ser adquiridos em reais no mercado financeiro brasileiro. Se o fundo for de ações você também terá de pagar 15% de IR sobre os ganhos obtidos. Agora, se for de renda fixa você deverá verificar a tabela progressiva do imposto de renda que varia de 15% a 22,5%.

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Brazilian Depositary Receipts (BDRs

Um BDR é um título (ou seja, um ativo) que reflete o desempenho de ações emitidas no exterior. Em outras palavras, seu valor é lastreado em tais ações. Ao comprar um BDR, o investidor não adquire diretamente as ações estrangeiras, mas possui um título que é grandemente influenciado pelo desempenho delas. Isso ocorre porque a instituição emissora é quem possui as ações e, a partir disso, emite os BDRs aqui em nossa bolsa de valores.            

Então para você, invester, trata-se de uma operação que não envolve moeda estrangeira, conta no exterior etc. Basta você adquirir um BDR aqui na B3 pois eles são transacionados diariamente como se fossem ações. Por sinal, a tributação também é a mesma: 15% sobre o ganho obtido

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Certificados de Operações Estruturadas – COE

Os COEs são produtos um pouco mais complexos em sua composição. Mas basicamente, ele funciona como um pacote de vários outros ativos, sendo que seu desempenho depende parcialmente de cada um deles.

Como exemplos, eles podem conter ativos de renda variável, renda fixa, moedas de outros países, ativos externos etc. Assim como os BDRs, os ETFs e os Fundos de Investimento, os COEs são negociados no mercado brasileiro, portanto você não precisa fazer remessa de dinheiro ao exterior. O fato de eles conterem ativos estrangeiros já internacionaliza, de certa forma, seu investimento.

Lembre-se que você precisará pagar uma taxa de administração ao investir em um COE. Geralmente, ela será semelhante à de um fundo de investimento, isto é, entre 0,5% e 2% ao ano. Além disso, sua tributação remete à tabela progressiva da renda fixa – entre 15% e 22% de alíquota.

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Atenção aos riscos e bom investimento!

Embora possuir ativos emitidos no exterior seja uma boa maneira de diversificar e de, possivelmente, garantir ganhos no longo prazo, é sempre bom lembrar que os mercados de outros países também passam por turbulências que afetam nos preços das ações e no valor de suas moedas. Por isso é bom sempre se preparar e fazer uma diversificação criteriosa de suas aplicações.

Os riscos – e também algum grau de incerteza – fazem parte do mundo dos negócios. Você pode diminui-los com boas estratégias, as quais exigem conhecimento e boa orientação. Não se esqueça!

Falando em conhecimento, não deixe de acompanhar os diversos textos deste blog sobre o mercado financeiro. Aqui tem assuntos dos mais diversos sobre o tema. Aliás, o próximo texto falará sobre a diferença entre juros simples e juros compostos, algo tão importante em nosso cotidiano. Então não perca.

Até a próxima!


Henrique Pavan

Professor de Economia, com 10 anos de experiência em graduação e pós. Produtor de conteúdo nas áreas de finanças e economia. Possui doutorado pela UFABC, no qual pesquisou temas como moedas socais, inclusão financeira e a relação entre moeda/sistema financeiro com o desenvolvimento local.


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