Entenda a diferença entre poupar e investir

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Saudações investers! 

Você sabe qual é a diferença entre poupar e investir? Não?

Então eu explico.

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Investimento

Se vocês me permitem, vou começar uma aula básica de economia. Mas não se assustem, vou procurar ser bem claro. Para os economistas, o investimento é todo item ou ativo que propicia a seu possuidor várias rodadas de consumo futuro. Ou seja, ele possibilita a existência de bens e rendimentos ao longo do tempo. Neste sentido, ele é totalmente diferente do ato de consumir!

Vamos a alguns exemplos.

Seu eu compro um automóvel para uso própria e da minha família, seu “retorno” é tão somente a satisfação que qualquer bem de consumo propicia: ou seja, seu próprio usufruto. O mesmo vale para uma televisão, uma roupa, uma bebida etc. Os bens de consumo, portanto, não geram rendimentos ou produção futura.

Por outro lado, se uma padaria adquire um novo forno, essa compra lhe possibilitará produzir pães ao longo de muitos anos e, desejavelmente, trazer lucros também. Neste caso, trata-se de um bem de capital.

Deu pra entender?

Portanto, o investimento tem a capacidade de aumentar a capacidade produtiva da economia, dando-lhe a possibilidade de gerar novos bens, serviços e rentabilidade ao longo do tempo. Por isso, a produção de novas construções (casas, edifícios, prédios comerciais, galpões), instalações, a compra de máquinas e equipamentos (como o forno da padaria), e a geração de novas tecnologias produtivas são considerados como investimento.

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Ok … já entendi que as empresas investem, mas e as pessoas físicas?

A rigor, o investimento só é realizado por empresas, com algumas poucas exceções, como a construção de uma casa que pode ser efetivada por uma pessoa ou família.

Mas no mercado financeiro, utilizamos a palavra investimento com um sentido parecido ao que se ensina nas aulas de economia. Isto porque, ao aplicar seu dinheiro em ativos, você também receberá várias rodadas de rendimentos futuros.

Embora isso não aumente diretamente a capacidade produtiva de uma economia (ou seja, não gerará a capacidade de produzir novos bens), pode-se dizer que é uma forma de investimento que traz retornos específicos ao longo do tempo, como dividendos (no caso de ações) ou juros (no caso de aplicações da renda fixa).

Assim sendo, ao investir seu dinheiro no mercado financeiro, você terá a possibilidade de obter resultados futuros ao longo do tempo, os quais poderão ampliar seu patrimônio.

Que ótimo Henrique, mas isso não é o mesmo que poupar?

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Poupança

Bem, senhor e senhora invester, poupar e investir são coisas diferentes. Vamos voltar mais uma vez para a aula de economia básica.

Para os economistas, a poupança é uma renúncia ao consumo presente, uma espécie de sacrifício. Portanto, é parte da renda não consumida que, por sua vez, pode vir a se tornar um investimento, mas não necessariamente. E por quê?

Porque as decisões entre investir e poupar são diferentes.

Se você simplesmente deixa o dinheiro que sobra todo mês parado na sua conta, você está poupando mas não investindo. Por isso, a poupança é aquela reserva que as pessoas fazem para comprar algo em um período próximo ou simplesmente para situações de emergência.

É claro, você deve estar pensando, que eu poderia pegar esse dinheiro e aplicar em minha conta poupança do banco e, com isso, ganhar juros. Neste caso, então seria um investimento?

A rigor, sim. Mas é um mau investimento, principalmente se você tem expectativas de aumentar seu patrimônio vendo seu dinheiro render satisfatoriamente ao longo do tempo. Hoje em dia a caderneta de poupança rende 70% da taxa Selic, o que significa algo que não chega a ser maior do que 1,5% ao ano!

Logo, trata-se de um rendimento muito baixo, ainda mais se considerarmos uma inflação de 3,5% no ano de 2020. Você terá, portanto, uma perda de 2% em termos reais.

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Como poupar?

Apesar de a poupança ser um investimento ruim, o ato de poupar é um passo importantíssimo para você começar a organizar suas contas e se preparar para investir. Não adianta dar um passo maior que a perna, concordam?

No texto anterior eu dei umas dicas sobre como organizar suas finanças e seu patrimônio. Vou retomar algumas de suas ideias centrais agora. Primeiramente, você deve anotar e separar suas despesas entre fixas, variáveis e ocasionais.

Despesas fixas

São aquelas que ocorrem com regularidade e estão quase sempre presentes em sua vida, como o aluguel (ou prestação do imóvel), contas de luz, água, internet, alimentação, transporte, mensalidade escolar etc. Essas despesas geralmente tomam o maior espaço dos nossos orçamentos e, apesar de apresentarem alguma rigidez, sempre é possível fazer algumas economias. Por exemplo: trocar o plano de internet para um mais barato, negociar o valor do aluguel, diminuir o uso do aplicativo de transporte e andar mais de metrô/ônibus e por aí vai.

Despesas variáveis

São aquelas com prazo de validade determinado: uma compra parcelada, um financiamento de médio prazo ou alguma necessidade não prevista. A dica aqui é controlar e diminuir essas despesas. Compras à vista são preferíveis aos financiamentos sempre que possível, por exemplo. Desse modo você se livra dos juros e de um fluxo de dívida futuro.

Despesas ocasionais

Por fim, as despesas ocasionais referem-se geralmente ao lazer ou ao consumo extra. Às vezes pinta uma viagem ou uma festa e você precisa gastar um pouco mais em presentes ou nos convites ou no combustível ou nas passagens de avião. Enfim, vocês sabem do que estou falando. Lazer é sempre bom. Mas existem formas de lazer super baratas. Ir ao parque ler um livro ou fazer um piquenique. Curtir museus e exposições com entradas livres ou bem baratas. Ir ao cinema. Convidar amigos para uma pizza com jogatina. Ou simplesmente passar o fim de semana assistindo filmes e séries.

Nada mau não?

Vejam que é possível poupar sem necessariamente se tornar um monge franciscano! Controlar despesas não significa viver a pão e água, mas equilibrar um fim de semana com gastos maiores e outro com um pouco mais de austeridade.

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Partindo para os investimentos

Uma vez que você realizou seu controle de gastos e percebe que sempre sobra um pouco de caixa no fim do mês, você estará apto a investir.

Agora o desafio será pesquisar sobre o assunto, procurando formas de fazer seu dinheiro render melhor. Este blog possui vários textos que te ajudam a navegar por esse tema. Por isso, te aconselho a dar uma olhada em alguns deles. Mas basicamente, você tem as seguintes opções: renda fixa, renda variável e fundos de investimento (inclusive ETFs). (colocar links renda fixa versus variável, o que são fundos de investimento)

Cada um desses tipos de investimentos possui sua característica em termos de prazos, retornos e risco. Eu costumo dar os seguintes conselhos para quem está iniciando:

  • Diversifique – não coloque todos os ovos na mesma cesta, pois o mercado financeiro não está totalmente livre de riscos.
  • Defina metas e objetivos – haverá necessidades de emergência que exigirão aplicações seguras e de curto prazo (neste caso, a renda fixa é a melhor pedida). Já para planejamentos de longo prazo, busque investimentos que propiciem altos rendimentos (a renda variável é mais propícia neste caso).
  • Planeje-se – mantenha a disciplina e organização para ser não só um poupador, mas também um investidor. Com isso, você poderá fazer aportes periódicos em suas aplicações, o que possibilita te trazer ainda mais ganhos financeiros.
  • Estude – é sempre bom manter-se informado e pesquisar sobre os diversos assuntos da economia e das finanças. Com isso você se sentirá mais confiante para entender as oscilações do mercado, o que lhe dará chances de fazer melhores escolhas.

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Finalizando

Bem, vou me despedindo por aqui. Espero que a leitura possa ter te ajudado a entender um pouco mais sobre a diferença entre poupar e investir.

O ano vai chegando ao fim e começamos a fazer contas para planejar nossas festas de fim de ano e os gastos que virão logo em seguida. Por isso aproveito para te convidar a ler o nosso próximo texto, que trará dicas de como utilizar bem o famoso e querido 13º salário.

Com certeza, muitos dos temas discutidos hoje te ajudarão na leitura do próximo texto. Então não perca.

Até a próxima!


Henrique Pavan

Professor de Economia, com 10 anos de experiência em graduação e pós. Produtor de conteúdo nas áreas de finanças e economia. Possui doutorado pela UFABC, no qual pesquisou temas como moedas socais, inclusão financeira e a relação entre moeda/sistema financeiro com o desenvolvimento local.


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