ETFs… São gestão ativa ou passiva?

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Saudações investers! 

Hoje vamos falar um pouco mais sobre fundos de investimentos. Mais precisamente sobre ETFs (Exchange Traded funds). Você sabe se eles possuem gestão ativa ou passiva? Vamos descobrir?

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O que são ETFs

Como eu expliquei em outro post, os ETFs são fundos de investimento com uma característica especial. Ao comprar uma cota de um ETF você participa de uma espécie de condomínio, no qual vários investidores colocam seus recursos para obterem um retorno. No entanto, um ETF é um fundo de investimento (ou condomínio de investidores) atrelado a índices.

Como? Eu explico.

Os ETFs são construídos de maneira a reproduzir o rendimento de índices de referência no mercado. Pensa aqui comigo. Vamos supor que você queira que seus investimentos tenham um rendimento semelhante ao do índice Bovespa. Para fazer isso na raça fica mais difícil. Você teria que pesquisar e comprar as ações que compõem esse índice. Ou seja, 77 ativos!!!

Ou você abre seu home broker e compra o ETF BOVA11 e corre pro abraço! Isso porque o BOVA11 é um fundo composto de maneira proporcional ao índice Bovespa. Ou seja, os gestores desse ETF montam sua carteira de modo a replicar o rendimento de bolsa de valores.

Entendeu?

Por isso os ETFs são conhecidos como fundos de índices, pois eles são compostos de maneira a refletir a rentabilidade de índices de referência do mercado. Aí vão alguns exemplos:

  • IMAB11 – é um ETF que replica o índice IMA-B que, por sua vez, indica o rendimento de títulos públicos indexados ao IPCA.
  • DIVO11 – este ETF tem como base o IDIV (índice de dividendos que acompanha as ações de empresas que se destacam em termos de remuneração de dividendos).
  • IVVB11 – trata-se de um ETF que está atrelado à performance do Índice S&P 500 em reais, ou seja, a principal bolsa dos Estados Unidos.
  • SMALL11 – este ETF procura refletir o Índice Small Cap, que acompanha o rendimento de ações de menor capitalização presentes na Bovespa.

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Diferenças entre gestão ativa e passiva

Ok, mas como saber se os ETFs se enquadram na gestão passiva ou ativa? Em outro texto eu expliquei com mais detalhes que um fundo de investimento de gestão ativa procura superar a barreira dos índices de mercado. Como assim?

Bem, um fundo com gestão ativa não tem o compromisso de meramente seguir ou ficar atrelado a um índice como os que mencionamos agora há pouco. Ao contrário, seus gestores devem selecionar ativos no mercado que possam oferecer maiores rendimentos do que os comumente atrelados a índices como o Small Cap, o IBOVESPA, o IMA-B ou qualquer outro.

Para fazer isso, os gestores precisam exercer uma postura ativa (viu??) analisando o mercado e muitas vezes indo contra a maré: ou seja, eles buscam encontrar ações que tendem a se valorizar mais do que as grandes tendências da economia sinalizam, as quais por sinal influenciam nos grandes índices de referência. Por isso, os fundos ativos cobram uma taxa de performance, uma espécie de remuneração para os gestores que conseguiram superar os índices de mercado.

Já na gestão passiva nada disso é necessário. Neste caso, os gestores compõem a carteira do fundo selecionando uma quantidade de ativos proporcional ao que se vê nos principais índices de mercado. Por isso, nesse caso, a gestão é “passiva”, pois o fundo segue atrelado a índices já existentes.

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ETFs: gestão passiva

Bom, então já sabemos a resposta para a pergunta que está no título deste post: os ETFs são fundos de gestão passiva!

E isso é bom ou ruim?

Bem, todo investimento tem seus lados positivos e negativos, seus riscos e suas vantagens. Os ETFs são uma ótima pedida pois seriam como pequenos pacotes, miniaturas ou réplicas dos índices já existentes. Sabe aqueles sacos de balas que comprávamos na infância? Pois é, ali não estão todas as baladas negociadas no mercado, mas sim uma boa amostra diversificada do que existe por aí.

Ao comprar cotas de um ETF que replica as ações da bolsa de valores, você estaria comprando um pacotinho com características muito semelhantes ao índice principal. Ou seja, é muito conveniente, bem diversificado e com risco razoavelmente moderado.

 Além disso, os ETFs apresentam liquidez diária, são negociados na própria bolsa e sua cotação pode ser verificada diariamente. Neste ponto, se assemelham a ações individuais. Mas aí é que moram as vantagens: você tem toda a liquidez de um ativo individual só que em um pacote de ativos, com diversificação e diluição de riscos.

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Gestão passiva e ativa: considerações finais

Todavia, os ETFs podem ser um problema se os índices de referência vão mal. Neste caso, você não tem escolha: aceita a desvalorização de seu ETF, espera a tempestade passar e aguarda uma retomada no futuro. Aliás, paciência e aplicações de longo prazo sempre são um bom conselho para se atuar no mercado financeiro.

Por outro lado, um gestor de fundos com característica ativa pode encontrar ativos que nadam contra a maré ruim e, com isso, trazer valorização ao patrimônio dos investidores. Mas é claro que essa estratégia também possui seus riscos, pois mesmo os melhores gestores podem errar o alvo.

Enfim, invista tranquilamente em ETFs se você quer facilidade de acompanhamento, diluição de riscos e rendimentos interessantes no médio e longo prazo (muitas vezes no curto prazo também). Além disso, diversifique seus ETFs! Combine ETFs de renda fixa com renda variável; invista em ETFs de ações estrangeiras e nacionais; de empresas grandes e pequenas. E por aí vai …

Tendo paciência, uma boa corretora e boas informações você pode fazer seu dinheiro trabalhar para você. E os ETFs são uma boa pedida.

Por hoje é só.

Até a próxima!


Henrique Pavan

Professor de Economia, com 10 anos de experiência em graduação e pós. Produtor de conteúdo nas áreas de finanças e economia. Possui doutorado pela UFABC, no qual pesquisou temas como moedas socais, inclusão financeira e a relação entre moeda/sistema financeiro com o desenvolvimento local.


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