O que são Fundos de investimento e como eles funcionam?

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Olá investers! Hoje vamos conversar sobre um dos assuntos mais interessantes neste ramo: fundos de investimento.

O que são fundos de investimento?

Um fundo de investimento constitui-se na aplicação coletiva de recursos com a finalidade de obtenção de algum rendimento. Henrique, não entendi nada. Em português, o que isso significa? Bem, eu poderia começar explicando que é mais fácil obter algo em grupo do que individualmente. 

Pense em uma “vaquinha”, por exemplo. Ela consiste em uma organização financeira coletiva com algum objetivo traçado. Este objetivo pode ser a compra de algum item, a melhoria de nossa rua ou condomínio, ou mesmo uma ajuda a alguma pessoa ou instituição.

Pois bem, o fundo de investimento opera em uma lógica similar. 

Ele é organizado de maneira a coletar recursos de cada cotista – neste caso, o cotista é cada investidor, ou cada pessoa que participa de uma vaquinha – e aplicar sua soma em ativos (de renda fixa, variável ou uma combinação de ambos) com o intuito de propiciar rendimento a todos os envolvidos.

Ficou mais claro agora?

Os fundos de investimento são muito bem organizados

Ok Henrique, mas como eles são organizados? Quais as vantagens e riscos? Vamos por partes. Primeiramente, falemos de suas características administrativas.

E lá vou eu contar um “causo” para tentar deixar tudo bem claro. Durante minha infância e adolescência era normal organizarmos vaquinhas para enfeitarmos a rua nos anos de copas do mundo. Acho que muitos de vocês também já fizeram isso. Pois bem, eu geralmente fazia parte de uma “comissão” que “administrava” os fundos coletados. 

Ou seja, éramos encarregados não só de coletar dinheiro mas também de aplicá-lo. No caso, evidentemente, o “rendimento” era a satisfação de ver a rua bonita. E, modéstia à parte, ficava linda! Além de administrarmos e aplicarmos esses recursos, nós também deixávamos as regras claras para os vizinhos. Claro que era tudo meio informal, mas geralmente avisávamos como aplicaríamos os recursos (comprando cal, bisnagas de tinta, fixadores, pinceis, bandeirinhas etc.) e qual seria o objetivo final – que, no caso, era deixar a rua bem bonita para dar sorte à seleção (algo que vem faltando nos últimos anos =( !).

Em um fundo de investimento isso também ocorre, porém de maneira muito mais transparente e regrada. Vejamos na sequência.

Administração e gestão dos fundos

Os fundos de investimento têm por obrigação zelar pela transparência em suas informações e decisões. Todos são regidos por um regulamento que fica disponível a todos os participantes. Além disso, eles divulgam o prospecto, que se trata de um documento explicitando as regras básicas do fundo, tais como tipos e quantidades de cada ativo que comporá a carteira, estratégias de investimento, grau de risco etc.

Uma figura importantíssima neste mercado são os gestores. Seu papel é selecionar os ativos que comporão o fundo, sempre adequando sua estratégia às características expostas no regulamento. Em se tratando de um fundo de baixo risco, cumpre ao gestor aplicar os recursos dos cotistas em ativos seguros, como renda fixa por exemplo. Se por acaso, o objetivo é conseguir maior retorno – e, portanto, maior risco -, então o gestor buscará ativos com esse perfil (geralmente renda variável). O importante é mencionar que o gestor deve ser alguém certificado pela CVM – Comissão de Valores Mobiliários (http://www.cvm.gov.br/) a operar neste mercado.

Além do gestor, temos também a figura do administrador dos fundos de investimento. Ele é escolhido pela assembleia de cotistas (sim, ao adquirir uma cota de fundo, você tem direito a participar das decisões da assembleia). Sua função é operacional. Ou seja, é responsável pelos serviços de tesouraria, de atendimento aos cotistas, de prestação de contas e de manter a documentação do fundo em dia, entre outras atividades.

Como vocês notaram, trata-se de uma vaquinha estilosa e profissional!

E para ter acesso aos serviços, o cotista deve pagar uma taxa de administração – a qual pode variar entre 0,5% e 4% ao ano – que nada mais é que uma remuneração aos serviços prestados pela administração do fundo. Além disso, se o desempenho do fundo for muito bom, ou seja, se obter um rendimento maior que o esperado, será paga também uma taxa de performance – correspondente ao excedente gerado – à administração.

Cotas

Como já mencionado anteriormente, as cotas são a menor parte de um fundo. Ou seja, é o valor mínimo que cada investidor precisa para ingressar. Há casos em que esse valor pode ser de apenas R$ 100,00. Um fundo pode ter, digamos, 10 mil cotas de RS 100,00, totalizando um patrimônio de 1 milhão de reais. Se você optar por comprar 50 cotas desse fundo, então terá 5 mil reais, algo equivalente a 0,5% do fundo.

Vamos supor agora que este fundo invista somente em renda variável e que o rendimento médio dos ativos aplicados tenha sido de 10% no período. Isto significa que todo o patrimônio do fundo de investimento irá se valorizar, incluindo cada cota. Ou seja, o valor total do fundo passará a ser de 1,1 milhão de reais. O valor da cota individual passará a ser de 110 reais e o valor de seus recursos investidos será de 5.500 reais. Ou seja, as proporções se mantêm, mas as fatias ficam maiores!

Tipos de fundos de investimento: benchmark e prazos

Atualmente, existe uma gama variada de fundos de investimento disponíveis no mercado. Eles podem diferir em vários aspectos, conforme vemos a seguir:

  • Os fundos de curto prazo apresentam vencimento geralmente inferior a 365 dias e são orientados para títulos de renda fixa com baixo nível de risco.
  • Já os fundos de longo prazo apresentam durabilidade mais longa que 1 ano e usualmente apresentam retorno e risco maiores do que os fundos de curto prazo.
  • Os fundos referenciados geralmente buscam um rendimento a partir de um índice de referência ou benchmark. O benchmark pode ser baseado em renda fixa (taxa Selic por exemplo) ou renda variável (como o Ibovespa).
  • Já os fundos não referenciados não apresentam um benchmark específico, sendo administrados de maneira mais ativa pelos gestores, geralmente buscando um rendimento maior do que os índices médios do mercado.
  • Os fundos abertos permitem entrada e saída de cotistas a qualquer momento.
  • Os fundos fechados possuem um prazo determinado de entrada e saída.

Fundos de investimento e seus ativos

Na seção acima, vimos que os fundos de investimento podem ter ou não uma referência (benchmark) e possuir prazos distintos de resgate e entrada. Agora, caro invester, te convido a dar uma olhada em uma classificação de fundos construída a partir do tipo de ativo em que eles investem os recursos dos cotistas.

Fundos de renda fixa

Esses fundos se comprometem a aplicar no mínimo 80% dos recursos dos cotistas em ativos de renda fixa. Os ativos mais comuns nesse tipo de aplicação são títulos públicos ou em papéis de dívida emitidos por empresas privadas. Um exemplo desses papeis são as debêntures, que nada mais são que títulos que as empresas vendem ao mercado em troca do pagamento de juros. Em outras palavras, é uma maneira de elas tomarem dinheiro emprestado de investidores. Os fundos de renda fixa são indicados para cotistas com perfil mais conservador, que priorizam a segurança acima de tudo.

Fundos de ações

Os fundos de ações devem aplicar um mínimo de 67% em tais ativos. Sua rentabilidade, portanto, depende da variação no valor desses papeis o que, por sua vez, está associada ao cenário econômico. Por isso mesmo, seu risco é maior do que aquele observado em fundos de renda fixa.

Os gestores dos fundos de ações podem perseguir uma estratégia passiva, isto é, atrelar o rendimento do fundo a um índice de mercado (o benchmark lembra?). De outro modo, podem adotar uma estratégia ativa e, portanto, mais agressiva, buscando rendimentos maiores. Neste caso, o risco do investimento também fica maior.

Fundos multimercado

Tais fundos são compostos por uma mescla de ativos de renda fixa e renda variável. São uma ótima pedida no que se refere à diversificação de riscos! Por serem bastante diversificados, esses fundos oferecem um grau de segurança maior que os fundos puramente compostos por ativos de renda variável (fundos de ações, por exemplo), mas ainda assim podem oferecer retornos interessantes.

Fundos cambiais

Imagine que você esteja preparando aquela viagem dos sonhos para o exterior. Vendo a variação instável do dólar todos os dias, você começa a desistir, já que os custos dessa viagem podem aumentar muito.

Bem, os fundos cambiais podem servir como um seguro contra toda essa desvalorização do real. Como eles aplicam, pelo menos, 80% de seu patrimônio em ativos denominados em outras moedas (mais comumente no dólar), significa que o dinheiro do cotista acompanha sua variação, preservando seu poder de compra.

E digo mais: quem aplicou em fundos cambiais no início de 2020 provavelmente se deu bem! O dólar subiu (até meados de outubro de 2020) cerca de 50% em relação ao real. O problema é que, como a taxa de câmbio oscila muito, o risco de perda é também grande. Se você adquirir cotas agora e o dólar resolver baixar, você vai perder dinheiro.

Fundos imobiliários

Provavelmente, você já pensou em comprar um imóvel para investimento em algum momento de sua vida: “Vou deixar minha vida feita! Compro uma casa, alugo e garanto minha aposentadoria!”

Ok, essa pode ser uma opção. 

Mas pense que você terá custos de manutenção com o imóvel, além de arcar sozinho com o risco de sua desvalorização. O valor do aluguel pode oscilar, o bairro pode se degradar, o inquilino pode ser caloteiro como o Seu Madruga e tantas outras coisas mais.

fundo imobiliário existe para que esses riscos sejam compartilhados. Ao ser cotista, você é um entre vários que terão seus recursos aplicados em diversos ativos imobiliários: salas comerciais, shoppings, escritórios, prédios comerciais etc. O risco ainda permanece, até porque o rendimento do fundo é atrelado ao desempenho do aluguel e da valorização de tais imóveis. 

Mas, como eu disse, ele é suavizado em relação ao processo de compra individual de um imóvel, já que a carteira é diversificada. Ou seja: é como se você adquirisse pequenas partes de muitos imóveis.

Vantagens dos fundos de investimento

Veja agora as principais vantagens dos fundos de investimento:

  • Simplicidade e profissionalismo: é muito mais simples adquirir uma cota de um fundo de investimento do que montar uma carteira por conta própria. Os gestores e administradores dos fundos estão lá para construir a melhor carteira possível de acordo com o perfil do fundo.
  • Diversificação dos riscos: como os fundos consistem em uma aplicação “diluída” em ativos diferentes, haverá alguma redução de risco. A diversificação é vantajosa pois os desempenhos dos ativos podem se compensar mutuamente.
  • Liquidez: em geral, é possível comprar e vender cotas diariamente. Isso se constitui em uma grande vantagem, já que ter acesso a liquidez é um grande diferencial em tempos de incerteza na economia.

Riscos dos fundos de investimento

Bem, mas nem tudo na vida é doce.

Apesar de suas inúmeras vantagens, os fundos de investimento – como toda aplicação financeira – apresentam alguns riscos. Veja-os a seguir:

  • Risco de liquidez: é possível que, em dado momento, você tenha dificuldade em achar um comprador para suas cotas. Neste caso, pode demorar para que você obtenha seu dinheirinho. Se estiver em uma emergência, então lascou. Por isso que é sempre bom ter uma reserva de emergência (link para o post correspondente) para estes casos. Em suma, para aplicar em fundos de investimento programe-se para fazer aportes periódicos e de prazo mais longo.
  • Risco de mercado: os ativos que compõem o fundo de investimento podem se desvalorizar (ou render menos que o esperado) e isso, infelizmente, faz parte do jogo ou do mercado (como queiram). A economia é composta de ciclos que estão fora de nosso controle e isso significa que oscilações nos juros, na inflação e no crescimento podem impactar diretamente no valor dos ativos.

Tributação

Antes de tudo, vale lembrar que os fundos de investimento são tributados na fonte. Ou seja, você não precisa nem se preocupar em se organizar para pagar os impostos. As alíquotas de impostos variam conforme o tipo de fundo e o prazo de permanência na aplicação.

No caso dos fundos de ações, será cobrada uma tarifa única de 15% sobre o rendimento bruto no momento de resgate. Já os fundos de curto prazo apresentam duas alíquotas:

  • Se você vender suas cotas até o 180º dia, pagará 22,5% de Imposto de Renda (IR).
  • Agora, se você resgatar seu dinheiro após 180 dias pagará 20% de IR.

Um lembrete importante: quanto mais tempo você deixar seu dinheiro aplicado menor será a alíquota de imposto cobrada!

Por fim, os fundos de longo prazo apresentam a seguinte divisão de cobrança de IR:

  • Até 180 dias: 22,5%.
  • De 181 a 360 dias: 20%
  • De 361 a 720 dias: 17,5%
  • Acima de 720 dias: 15%

Como começar a investir em fundos?   

Para encerrar, gostaria de te dar umas dicas de como iniciar.

Antes de tudo, é preciso ler, aprender e se informar sobre o assunto. O conhecimento, no fim das contas, faz enorme diferença. Em seguida, você deve conhecer seu perfil de investidor. Isto significa definir que tipo de retorno deseja e, automaticamente, que tipos de fundos irá buscar juntamente com o prazo de maturação de seu investimento. Lembrando que, se quiser maiores retornos, terá de assumir maiores riscos.

Você não precisa escolher somente um fundo de investimento. É completamente possível alocar suas necessidades mais prementes em fundos de curto prazo, investir para complementar a aposentadoria em fundos de renda variável de prazos mais longos e, ao mesmo tempo, dar aquela diversificada boa em fundos multimercado. Se você curte dar umas viajadas ou trabalha com comércio exterior, os fundos cambiais podem ser uma boa. 

Enfim, tem para todos os gostos e necessidades.

Por fim é importante também abrir uma conta em uma instituição financeira e falar com seu corretor, pois ele irá te ajudar com mais informações neste intrigante mundo dos investimentos.

No próximo post, falaremos sobre a diferença entre fundos de investimento e ETFs (Exchange Traded Funds).

Até a próxima!


Henrique Pavan

Professor de Economia, com 10 anos de experiência em graduação e pós. Produtor de conteúdo nas áreas de finanças e economia. Possui doutorado pela UFABC, no qual pesquisou temas como moedas socais, inclusão financeira e a relação entre moeda/sistema financeiro com o desenvolvimento local.


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