Reserva de emergência: como construir uma?

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Olá investers! Você sabe o que é e como construir sua reserva de emergência? Antes de me aprofundar mais no assunto, já posso te adiantar que a reserva de emergência é aquela gordurinha financeira que te permite fazer frente tanto a compromissos financeiros planejados como também aos inesperados.

Já diria o célebre economista John Maynard Keynes que a incerteza é um elemento permanente na economia. Assim sendo, os agentes econômicos (como nós e as empresas) sempre procuram guardar uma pouco de dinheiro para possíveis imprevistos futuros. Então, já podemos afirmar que é sempre bom ter recursos financeiros guardados, pois nunca sabemos o que ocorrerá no dia de amanhã. E melhor ainda se esses recursos puderem ser aplicados no mercado financeiro, obtendo algum rendimento. Mas antes de tudo precisamos falar de planejamento e da organização de suas receitas e despesas. 

Organização 

Você sabe quanto gasta por mês? Ou o quanto precisa para suas necessidades básicas? Está sempre no vermelho? Vive no limite? Consegue poupar? Pois bem, a primeira coisa que devemos fazer é organizar as nossas contas! Isto não é difícil de fazer. Ninguém precisa ser um mestre em Excel e criar uma super planilha. Uma tecnologia do século vinte resolve: papel e caneta. 

Sim, anote o valor de todas as suas contas. Aluguel, prestação do carro e/ou da casa, contas de água, luz, internet, telefone, mensalidade escolar, gastos com transporte (combustível ou transporte público), alimentação, medicação etc. Ufa! Realmente são muitas coisas. E, claro, cada um de nós possui necessidades e gastos diferentes. Para alguns a academia é indispensável. Para outros, pagar Netflix. E assim vamos. 

Já anotou? Somou? E, mais importante, sobrou?  Se sobrou, ótimo! Esta já pode ser sua reserva de emergência. “Poxa Henrique, não sobrou. Na verdade, fico no vermelho todo mês!” 

Aprendendo a poupar 

Bem, neste caso, você terá que classificar alguns gastos como supérfluos. Em outras palavras terá que cortar algumas coisas. Por exemplo, comprar marcas mais baratas e diminuir quantidade de consumo de alguns itens. Quem sabe diminuir viagens por aplicativos de carros e utilizar um pouco mais de transporte público em seu caminho para a faculdade ou trabalho? Fazer mais trajetos a pé ou de bicicleta (neste caso você ganha gordura financeira mas perde aquela indesejável!). Você também pode optar por comer menos fora e passar a preparar suas próprias refeições.  

Se o dinheiro começar a aparecer já será a hora de programar a reserva de emergência. 

Planejando e poupando e seguindo a canção 

 Uma vez feita essa organização, chega a hora de fazer o planejamento. Muitas vezes ele pode vir associado a uma meta. De quanto eu precisaria para tocar a minha vida se eu ficasse sem emprego por uns seis meses por exemplo? Qual o valor dos imprevistos que podem surgir, como o conserto do carro ou um tratamento médico? Lembre-se que todos nós temos o ímpeto de usufruir o presente e, com isso, muitas vezes gastamos mais que o necessário. Uma maneira de “driblar essa tentação” seria estipular uma meta ainda mais atrativa: uma reforma estilosa da casa, aquele carro dos sonhos, uma viagem etc. Com ou sem meta, o importante é ter a disciplina de poupar uma quantia todo mês. Mesmo que seja pouco é melhor do que nada.  

Em outro post eu comentei que a galinha enche o papo de grão em grão (ok, eu sei que inverti tudo, mas você entendeu!). Pois bem, não fique desanimado se você só consegue poupar uma quantia baixa a cada mês. Não tem problema. O importante é começar. Sobram 20 reais por mês? Ok. Programe em seu banco uma transferência mensal desse valor para a poupança. Se você conseguir poupar mais, melhor ainda. 

Fugindo dos empréstimos 

 Imagine a seguinte situação. Seu computador quebrou e você não fez aquela reserva de emergência. Você está com os bolsos vazios e precisa muito do computador para trabalhar. O que você faz? Vai ao banco e pede um empréstimo. Pois é, muita gente faz isso e acaba se atolando em dívidas. Isto porque as taxas de juros cobradas pelos bancos não são nada amigáveis. 

O Jornal Valor Econômico fez um levantamento das taxas de juros médias cobradas de pessoas físicas pelos bancos. Veja abaixo que a situação não é nada animadora. 

Taxas de juros médias para pessoa física, em % ao ano 

Tipos de empréstimos Taxa de juros em Agosto de 2020 
Cheque especial 130,84% 
Aquisição de outros bens 51,81% 
Crédito pessoal não consignado 44,41% 
Consignado setor privado 29,23% 
Consignado setor público 18,30% 
Consignado INSS 20,98% 
Aquisição de veículos 18,58% 
Crédito parcelado 133,44% 

Veja que, mesmo os créditos mais baratos (consignados, por exemplo) ainda assim cobram juros muito mais altos que qualquer aplicação em renda fixa existente. Ou seja, para seu dinheiro render é necessário ter organização, planejamento e disciplina. Mas para se endividar é um pulo. 

Falando em renda fixa … 

 É recomendável que você faça sua reserva de emergência em renda fixa. Mais ainda, procure ir além da poupança. Ainda que ela possua liquidez (facilidade de colocá-la disponível para suas transações diárias), seu rendimento atual é muito baixo – 1,4% ao ano. 

Mas e a renda variável? Bem, a reserva de emergência é algo que precisa estar disponível a curto prazo. Por isso tem esse nome. Assim sendo, aplicações em renda variável não são recomendáveis. Já a renda fixa possui a vantagem de te dar segurança e liquidez imediata, ainda que os rendimentos sejam baixos.  A seguir, veremos algumas dicas de investimentos em renda fixa que podem te ajudar. 

Tesouro Selic 

O Tesouro Selic é um título público que possui rendimento vinculado à taxa Selic (hoje em 2% a.a.). Como a Selic não deve baixar mais que isso, a tendência é que seu rendimento aumente. Esta aplicação te propicia muita segurança, já que é um empréstimo que você faz ao governo. E se você tiver uma emergência, você pode vendê-lo que o dinheiro cai na sua conta dentro de um dia útil.  O imposto de renda será cobrado em uma alíquota entre 15% e 22,5%, dependendo do prazo da aplicação. Mesmo assim, dificilmente você perde dinheiro. 

CDB 

Os Certificados de Depósitos Bancários (CDBs) são empréstimos que você concede a um banco. Tais empresas necessitam de recursos para financiar suas atividades do dia a dia. Então elas emitem CDBs e pagam juros em troca dos recursos emprestados. Hoje em dia, os CDBs pagam juros um pouco acima da taxa Selic e podem apresentar liquidez diária. Ou seja, se você vende, você recebe o montante investido mais os juros no mesmo dia! Neste caso, você também pagará imposto de renda de 15% a 22,5%, dependendo do prazo de aplicação. 

LCI e LCA 

As LCI (Letras de Crédito Imobiliário) e LCA (Letras de Crédito do Agronegócio) são títulos emitidos por empresas do setor imobiliário e do agronegócio, respectivamente, e podem ter liquidez diária. A vantagem é que são isentas de impostos. A desvantagem é que podem propiciar um rendimento inferior aos títulos tributados. 

Fundos de Renda Fixa 

Os fundos de renda fixa são carteiras montadas por gestores profissionais que alocam 80% dos recursos em ativos de renda fixa como CDBs ou títulos do tesouro. São uma verdadeira mão na roda, pois você transfere a outra pessoa a responsabilidade de compor uma carteira de investimentos. Além de tudo apresentam a vantagem da diversificação de ativos. A tributação também varia entre 15% e 22,5% e a liquidez ocorre em D+1, ou seja, você recebe seu dinheiro um dia após a venda. 

Concluindo … 

Caro invester! Espero ter te ajudado a organizar suas finanças pessoais.  Guardar algum dinheiro já é bom. Guardar e ter algum rendimento é melhor ainda. É importante ir caminhando passo a passo para compor sua reserva emergencial. Uma vez que você já tenha adquirido essa habilidade, poderá começar a pensar em investimentos de longo prazo. Neste caso, portanto, a renda variável é mais vantajosa. Mas isto é assunto para outros posts. 

Até a próxima! 


Henrique Pavan

Professor de Economia, com 10 anos de experiência em graduação e pós. Produtor de conteúdo nas áreas de finanças e economia. Possui doutorado pela UFABC, no qual pesquisou temas como moedas socais, inclusão financeira e a relação entre moeda/sistema financeiro com o desenvolvimento local.


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