Por que é importante diversificar os seus investimentos?

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Diversificar significa diluir seus riscos em diversas aplicações diferentes de modo a garantir ao mesmo tempo segurança e rentabilidade. Se, por exemplo, você tivesse investido todo o seu dinheiro em ações da Petrobras, por volta de 2007, teria perdido muito, pois logo depois veio a crise  da empresa. É claro que a partir de 2016 seu valor voltou a aumentar, mas veja o quanto de volatilidade ocorreu, não é mesmo?

A economia e seus ciclos

Certas coisas a gente não controla. Funciona assim com muitas outras coisas. E com a economia não seria diferente. Há movimentos oriundos de várias origens que ajudam a determinar se a economia cresce ou desacelera. Há fatores internacionais, ambientais, sociais, tecnológicos e políticos que se encontram fora de nosso alcance.

O último momento de grande crescimento econômico do Brasil ocorreu entre 2004 e 2011 (alguns analistas esticariam este período até o ano de 2013). Você se lembra o que ocorria com os preços de alguns ativos importantes naquele período? Ressalvadas algumas oscilações, o preço do dólar estava consideravelmente baixo, chegando a ser cotado a R$ 1,60 por volta de 2008 e em 2010/2011 também.

Ao mesmo tempo, a bolsa de valores chegou a 130 mil pontos (em valores atuais), também em 2008. O preço dos imóveis começou a disparar, chegando a duplicar ou triplicar a depender do bairro ou cidade. E a taxa básica de juros (a Selic), depois de estar muito alta desde o fim da década de 1990 até por volta de 2003, começa a cair consistentemente.

Mas o que isso tem a ver com diversificar?

Repare que se você tivesse investido todo o seu dinheiro em fundos cambiais, teria sofrido uma perda considerável no período descrito acima. Mas se tivesse investido em fundos atrelados ao índice Bovespa teria ido muito bem até 2008, depois sofreria uma brusca queda em 2009 e recuperaria alguma coisa. Já a taxa de juros caiu, significando que a renda fixa não teria sido uma boa opção.

Mas e se entre 2003 e 2011 você tivesse construído uma carteira assim:

  • 10% aplicado em fundos cambiais. 
  • 25% em fundos de renda variável. 
  • 15% em ações da Petrobrás. 
  • 25% em títulos de renda fixa. 
  • 25% em fundos imobiliários. 

O que teria ocorrido?

Efeitos de uma boa diversificação

No exemplo acima, seta azul para acima significa ganhos, seta vermelha para baixo são as perdas e a seta amarela para o lado significa estabilidade (no caso da PETR4 ainda assim teria havido algum ganho, mas se você tivesse vendido em 2008 teria sido ainda melhor).

Que conclusão tiramos?

Veja que que o saldo total teria sido positivo para você, já que 50% da sua carteira teria se valorizado, enquanto 35% representariam perdas e outros 15% de estabilidade. Imagine se você tivesse colocado tudo em renda fixa ou em ativos atrelados ao dólar?  Por isso, diversificar é importante. A desvalorização de certos ativos pode ser compensada pela valorização em outros. E, além de tudo, você reduz seus riscos.

Uma carteira altamente correlacionada é muito arriscada

Existe um termo conhecido em estatística chamado correlação. Ele avalia se dois ou mais fenômenos se comportam de maneira semelhante entre si. No caso de ativos do mercado financeiro, ter uma ideia de correlação é importantíssimo. 

Vamos a um exemplo. No período 2003-2011 vimos que o dólar caiu muito e, ao mesmo tempo, a bolsa foi bem. Aqui temos um exemplo de correlação negativa. O dólar cai e bolsa sobe (ou vice-versa). É fácil de entender. Se o dólar cai é porque muitos investidores que possuem a moeda norte-americana estão colocando seu dinheiro aqui no Brasil. Em outras palavras, significam que eles estão confiando na economia brasileira. Eles utilizam esses dólares para comprar ativos aqui. Empresas, ações, terras, imóveis etc. Então, com o aumento da demanda por ações – por exemplo – seu preço sobe. Resumindo: muitos dólares entrando fazem com que seu preço (taxa de câmbio) caia ao mesmo tempo em que ativos como imóveis e ações de valorizem.

O gráfico a seguir demonstra uma carteira altamente correlacionada composta pelos ativos fictícios A e B. Veja que o retorno de ambos caminha sempre na mesma direção. Isto significa que, quando o valor dos dois ativos sobe, sua carteira vai muito bem e você ganha muito dinheiro. Mas quando ambos desvalorizam, sua carteira sofre muito. 

Gráfico – Carteira altamente correlacionada

A lição que fica é: diversifique! Preferencialmente, uma carteira ideal deve conter diversos tipos de ativos. Uma boa diversificação consegue preservar rentabilidade com redução de riscos. Além disso, a questão tempo é fundamental. Você já sabe que não deve colocar sua reserva de emergência em ativos de renda variável. Sua carteira deve conter uma diversificação em ativos de curto e longo prazo.

Para emergências, uma boa renda fixa vai bem. Mas ao mesmo tempo, aloque recursos de longo prazo em renda variável ou em um mix de ambos. Fale com seu corretor para conversar sobre seu perfil de investidor e para que ele te dê boas dicas de diversificação. Mas é sempre bom estudar um pouco antes e já ter algumas ideias em mente.

Henrique Pavan

Professor de Economia, com 10 anos de experiência em graduação e pós. Produtor de conteúdo nas áreas de finanças e economia. Possui doutorado pela UFABC, no qual pesquisou temas como moedas socais, inclusão financeira e a relação entre moeda/sistema financeiro com o desenvolvimento local.

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