Por que você deve investir em renda variável?

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Se você chegou a este blog é porque está pensando em investir o seu dinheiro, quem sabe investir em renda variável… Por isso mesmo, peço licença para te ajudar e falar um pouco sobre o assunto. Mas por onde começar? Para responder a essa pergunta, primeiro preciso te contar sobre as duas principais formas de alocar sua poupança (aquele dinheirinho extra que sobra no fim do mês) no mercado financeiro: a renda fixa e a renda variável.

Renda fixa x renda variável

A primeira delas consiste em emprestar recursos para uma empresa ou para o governo, por exemplo. Neste processo, você recebe os juros por disponibilizar dinheiro a eles. Ou seja, seu rendimento é previsível e, por isso mesmo, este tipo de aplicação é conhecida como renda fixa. Veja alguns exemplos a seguir:

  • Ao comprar títulos do Tesouro Direto você empresta para o governo e recebe aproximadamente 2% de juros ao ano (em valores de setembro de 2020).
  • Ao adquirir um CDB (Certificado de Depósito Bancário), você está emprestando para um banco e receberá juros em valor similar.
  • Se, por outro lado, você optar por investir em debêntures, a lógica será a mesma. Mas neste caso você recebe juros de uma empresa em troca de seu empréstimo.

Bem, agora que falamos sobre renda fixa, é importante mencionar que boa parte das aplicações neste segmento seguem a direção da taxa básica de juros brasileira, também conhecida como taxa Selic. Isto significa que, dado seu patamar atual, você não deverá receber muito mais do que 2% ao ano de juros. Sabendo que a inflação em 2020 deve encerrar também muito próxima de 2%, significa que seu ganho real será zero!

Por isso, se me permite um conselho, considere investir em renda variável. Antes de tudo, é preciso dizer que na renda variável não há previsibilidade de ganhos e, portanto, o risco é maior do que na renda fixa. Mas também posso te garantir que o retorno pode ser maior! E por que isso ocorre? Pois bem, para simplificar, vou te explicar sobre os ativos de renda variável mais conhecidos: ações.

Ações

Ao adquirir uma ação, você está comprando uma fração de uma empresa. Assim sendo, você passa a fazer parte do risco do negócio. Portanto, seu rendimento dependerá de inúmeros fatores que afetam o mundo das finanças, como crescimento econômico, taxa de juros, questões políticas etc.

Exemplo:

Digamos que, em janeiro de 2020, você comprou um lote de R$ 5.000,00 de uma ação que valia R$ 20,00. Supondo que no final do ano essa ação passou a ser cotada em R$ 22,00, você terá um retorno de 10%, ou seja, sairá com R$ 5.500,00. Mas, claro, isso depende do desempenho da própria empresa. Há também o risco de diminuição no capital investido.

Mas isto não é motivo para desânimo. Com o apoio de sua corretora e de uma boa pesquisa, você consegue traçar boas oportunidades de investimentos em ações. Com paciência, será possível adquirir bons retornos. Permita-me dar-lhe um breve exemplo. Você já deve ter ouvido falar do índice Bovespa (IBOV), correto?

Pois bem, esse índice representa o preço de mercado das ações mais negociadas na bolsa de valores. Assim sendo, se o IBOV atingir 100 mil pontos, significa que o conjunto de suas principais ações equivale, naquele momento, a R$ 100.000,00. Sabendo disso, te convido a analisar a tabela abaixo, a qual apresenta a pontuação do índice Bovespa nos últimos anos.

AnoPontos
201543.349,96
201660.227,28
201776.402,08
201887.887,27
2019115.645,34
2020*102.912,24
*Até mês de setembro

Você reparou que a pontuação aumentou em todos os anos com a exceção de 2020, que foi afetado pela pandemia do Covid-19? Isto significa que o investimento em ações, apesar de parecer volátil no dia a dia, apresenta mais segurança e bom retorno do que podemos imaginar. Para facilitar a compreensão, vou te mostrar mais alguns números. De 2018 para 2019, o índice valorizou mais de 30%. Uma aplicação em renda fixa, na média, teria obtido uma rentabilidade 6 ou 7 vezes menor no mesmo período. Mas lembre-se: o investimento em renda variável deve ser feito, preferencialmente, com uma visão de longo prazo e com aportes mensais.

Fundo de ações

Mas se ainda assim você se sente inseguro(a) com a renda variável, posso te afirmar que é possível diversificar seus investimentos, diminuindo o risco. Em outras palavras, ao invés de colocar todo o seu dinheiro apenas em um ativo, você pode distribuí-lo em vários, de modo que as perdas podem ser compensadas por ganhos. Já dizia o famoso ditado: “não coloque todos os ovos na mesma cesta”. É aqui que entram os fundos de ações. Investir seu dinheiro em tais fundos é uma maneira mais cômoda e segura de garantir rentabilidade em renda variável. Mas do que se tratam?

ETFs

Imagine que, ao invés de comprar cada ação isolada, você tenha acesso a diversos pacotes delas, cada um montado de acordo com certas características. Imagine ainda que alguns desses fundos tenham como meta atingir um índice da bolsa de valores como o próprio IBOV. Neste caso, estamos falando dos Exchange Traded Funds (ETF).

Basicamente, tais “pacotes” já contêm uma gama diversificada de ativos que oferecem a vantagem da diluição dos riscos. Além disso, contam com gestores especializados que buscam as ações mais adequadas para comporem os devidos fundos. Outras vantagens são a liquidez (facilidade de compra e venda) e a possibilidade de acompanhar tudo online.

Vale ressaltar que os principais fundos de ações vêm obtendo rentabilidade consideravelmente acima das aplicações em renda fixa, constituindo-se assim em importantes alternativas de investimento. Mas eu ainda não te contei tudo sobre a renda variável.

Dividendos

Você sabia que, além da própria valorização do ativo, é possível obter dividendos? Ou seja, se a empresa lucra, você ganha em duas frentes: a ação de valoriza (e, portanto, seu patrimônio também) e os dividendos (partes dos lucros da empresa, correspondentes à propriedade das ações) pingam em sua conta. E mais, se você optar em obter ações ordinárias, poderá até exercer direito a voto nas assembleias das empresas. Não é interessante?

Outras modalidades

Por fim, vale a pena lembrar que os ativos de renda variável não se resumem a apenas ações (ou fundos de ações). Existem outras modalidades, tais como:

  • Fundos imobiliários
  • Fundos de investimentos
  • Os já mencionados Exchange Traded Funds (ETF)
  • Câmbio
  • Contratos Futuros
  • Outras opções

Em suma, é importante dizer que o cenário futuro da economia brasileira aponta para oportunidades promissoras no mercado de renda variável. A presente crise, marcada pela triste pandemia do coronavírus, apenas desviou temporariamente uma trajetória ascendente desse segmento. Com juros baixos, a busca por ações ou fundos de ações torna-se uma alternativa viável para a busca de maiores rendimentos. Lembre-se que o risco pode ser diminuído e que tal tipo de investimento está disponível para qualquer pessoa! Em muitos países do mundo, é normal que pessoas comuns e suas famílias depositem parte de seus recursos em aplicações de renda variável.

Portanto, não perca essa oportunidade.


Henrique Pavan

Professor de Economia, com 10 anos de experiência em graduação e pós. Produtor de conteúdo nas áreas de finanças e economia. Possui doutorado pela UFABC, no qual pesquisou temas como moedas socais, inclusão financeira e a relação entre moeda/sistema financeiro com o desenvolvimento local.


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