Qual é a importância da Educação Financeira?

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Saudações investers! 

Educação Financeira! Todo mundo já ouviu falar, mas pouca gente sabe do que realmente se trata. Em minha visão, trata-se de um assunto amplo e importante: todo o universo educacional – independentemente da disciplina – deve ter como função o pleno desenvolvimento do ser humano, libertando suas capacidades cognitivas e criativas. Eita, falei bonito! Rsrs

Mas para começar, vou recapitular algo que escrevi no texto anterior: é preciso compreender o sistema financeiro (e por que não um pouco de economia geral?) para que ele possa te servir bem. Do contrário, você pode se atolar em dívidas crescentes e isso não é bom.

A educação financeira, portanto, é uma ferramenta que vai te ajudar e navegar por esses caminhos.

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Educação Financeira: do que se trata?

Basicamente, a educação financeira consiste em um conjunto de práticas, ações e ideias que permitem a uma família ou empresa gerir melhor os seus recursos. Isto implica em planejamento e controle de gastos, apuração de receitas e adoção das melhores estratégias de aplicação do dinheiro.

Veja que no parágrafo anterior eu mencionei basicamente duas coisas: executar um bom planejamento financeiro e conhecer boas opções para investir seus recursos. Então vamos falar um pouco sobre elas.

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Planejamento Financeiro I (gastos e despesas)

Eu já fiz um texto sobre esse tema que pode ser lido aqui. Mas, mesmo assim, vou te lembrar algumas coisas importantes a esse respeito.

A primeira – e talvez a mais importante – tarefa de quem inicia um planejamento financeiro é ANOTAR os gastos! Desculpem as letras maiúsculas, mas isso é muito importante. Muita gente acha irrelevante registrar aquela corrida inesperada no aplicativo de transportes ou aquela deliciosa refeição – que muitas vezes poderia ter sido feita em casa, com ingredientes mais baratos – feita em um restaurante. Mas controlar o que você gasta é essencial para começar a saber onde está o buraco e como começar a fechá-lo.

Vejam só, não estou dizendo que você deve se tornar um monge franciscano do dia para a noite. Mas pode ser que você esteja exagerando e, por isso, anotar os gastos pode trazer oportunidades de ter um orçamento mais equilibrado. Tanto nas despesas fixas (aquelas que são rotineiras e variam pouco, como aluguel, água, energia etc.) como nas despesas variáveis (sujeitas a maior variabilidade, como passeios e lazer em geral), é possível notar itens que podem ser economizados.

Será que sua tarifa bancária não está cara demais? Saiba que é possível sempre trocar por outra mais barata. E o plano de celular ou internet? Veja se não é possível renegociá-los. E as baladas? O lanche no fast food? Tendo todos esses valores em uma planilha (mas pode ser em um caderno também) fica mais fácil visualizar onde há possíveis excessos.

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Planejamento Financeiro II (investimentos)

Se você conseguiu controlar gastos e receitas, se sobrou alguma coisa, o passo seguinte é encontrar formas de fazer o dinheiro trabalhar para você. Não há milagres e você não vai virar o Warren Buffet da noite para o dia. Mas, como eu disse, você pode controlar desperdícios e, além de tudo, começar a extrair uma renda. Além de fechar o buraco, é possível construir algo em cima dele.

Neste blog eu já fiz muitos textos sobre opções de aplicações e investimentos. Renda fixa, ações, ETFs, fundos de investimento, BDRs e muitos outros. A ideia é deixar de ser um devedor, eliminar ou reduzir dívidas (sobre as quais incidem juros sobre juros) e passar a ser credor. Assim, você muda de lado na engrenagem do sistema financeiro. Deixa de ser um tomador de recursos para ser um financiador. E como prêmio, recebe algum rendimento.

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Por que você gasta? Como domar as emoções?

É certo que vivemos um bombardeiro de propaganda de todos os tipos. Vivemos em uma sociedade de consumo e isso é relativamente normal. As empresas necessitam de clientes e por isso investem pesado em divulgação. Mas você já parou para pensar que você pode ter autocontrole e não ser tão influenciável pelo que está ao seu redor?

O processo educativo (e aqui se inclui a educação financeira) tem como finalidade a autonomia do indivíduo. Em outras palavras, ser um cidadão educado não significa ser uma enciclopédia ambulante. Ao contrário, é saber utilizar o conhecimento adquirido para ter controle sobre suas próprias decisões. No caso da educação financeira, significa controlar seu dinheiro, conduzi-lo para fins previamente determinados por você mesmo. E, neste quesito, é essencial o controle das emoções. O consumo tem um fator psicológico, todos sabemos. Em um dia difícil, estamos mais propensos a entrar em um shopping e gastar mais do que deveríamos. Tudo para conquistar uma (enganosa) sensação de alívio.

Por isso, a racionalidade e uma certa disciplina são aliadas da educação financeira. Cair na esbórnia (rsrsrs) é sempre ruim? Claro que não, desde que seus gastos estejam controlados e haja espaço no seu orçamento. O importante é não comprometer seu planejamento. A propósito, algo muito importante para ter foco e direcionar sua vida financeira – e, com isso, controlar as emoções – é estabelecer metas. Elas podem ser baseadas em itens concretos – um curso, uma viagem, a consolidação de um patrimônio, a compra de um carro (você é quem determina) – ou serem, simplesmente, financeiras (guardar uma certa quantia de dinheiro todo mês, por exemplo).

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Educação Financeira para todos

Mas Henrique, eu não sou rico, não consigo guardar dinheiro! Bem, é verdade que para boa parte da população brasileira, poupar é algo inimaginável. Não podemos esquecer que a pobreza é um fato triste e que nem sempre o indivíduo sozinho (mesmo sendo um ótimo planejador financeiro) conseguirá guardar dinheiro.

 Mas a educação financeira serve para muita gente também. Não tenha vergonha em estabelecer pequenas metas. Muito pelo contrário. Cada um atua de acordo com as suas possibilidades. Se você consegue 10 ou 20 reais por mês, ótimo. A educação financeira é para todos. Até porque você também aprenderá muito no processo. Terá que estudar, ler e ver vídeos sobre o assunto. Além disso, para ser bem educado financeiramente é preciso compreender o mundo a seu redor. Explico.

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Economia, política e afins …

Embora as ações individuais sejam importantes, muita coisa em nossa vida financeira é determinada em outras esferas, como na política, na economia …. e por aí vai. Para você entender sobre investimentos, terá que analisar em alguma medida o cenário econômico. Saber como a política monetária pode afetar a rentabilidade de um ativo, por exemplo. Fiz um texto explicando isso, você pode lê-lo aqui.

Muitas vezes seu planejamento financeiro pode ser atrapalhado (ou ajudado, oxalá!) por questões políticas e econômicas. O nível de crescimento econômico, a taxa de desemprego, as escolhas políticas dos governos, a economia internacional …. Tudo isso também faz parte do trajeto de quem busca a educação financeira. Por isso, os sites e canais de análise do mercado financeiro estão sempre divulgando notas e boletins sobre esses assuntos.

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Dicas para uma boa educação financeira

Estar atento ao noticiário econômico e financeiro é uma boa pedida. Mas antes disso, procure sites, livros e canais que te ajudem a organizar sua vida e seu dinheiro. Conversar com profissionais do ramo também é sempre uma boa pedida. Você pode também organizar grupos de estudo e de conversa sobre o tema em sua escola, faculdade ou na vizinhança. Hoje, com a internet, isso fica mais fácil também. De preferência, procure apoio de pessoas com formação e conhecimento na área.

Um fato importante de mencionar é que a educação financeira será matéria obrigatória na Base Nacional Comum Curricular. Isso significa que o tema será tratado desde cedo nas escolas, o que ajudará na formação de cidadãos mais preparados para este tema.

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Por hoje é só …

Bom pessoal, espero que esse texto lhes tenha sido útil em sua busca por educação financeira. Aliás, todo esse blog tem esse intuito. Se você navegar por nossos textos já terá boas condições de tomar boas decisões financeiras em sua vida. Então, contem conosco.

Até a próxima!


Henrique Pavan

Professor de Economia, com 10 anos de experiência em graduação e pós. Produtor de conteúdo nas áreas de finanças e economia. Possui doutorado pela UFABC, no qual pesquisou temas como moedas socais, inclusão financeira e a relação entre moeda/sistema financeiro com o desenvolvimento local.


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